O país que presta não tem bandidos de estimação

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A turma que ousou desafiar o renascimento da Justiça precisa compreender que agora todos são iguais perante a lei

Os democratas antipetistas tentados a interromper a agonia política de Aécio Neves, Michel Temer e outras figuras mortalmente atingidas pela devassa nas catacumbas do Brasil precisam livrar-se imediatamente desse surto de esquizofrenia ética. O país que presta não tem bandidos de estimação, reitera esta coluna há mais de oito anos. Quem cumpre a lei e cultiva valores morais permanentes não pode ser cúmplice de corruptos condecorados. Quem aplaude a Lava Jato não pode bater palmas para os sonham com o fim da operação que desencadeou a dedetização dos porões do Brasil.

Todos os beneficiários da ladroagem institucionalizada pela Era da Canalhice devem ser punidos pelos crimes que praticaram, sejam quais forem os partidos que escolheram para homiziar-se. Quem luta contra a roubalheira não pode ser clemente com oportunistas que ou se aliaram ao esquema criminoso montado pelo PT, caso de Michel Temer, ou passaram 13 anos em silêncio obsequioso frente às falcatruas empilhadas durante os governos de Lula e Dilma Rousseff. Os figurões do PSDB sempre reagiram com miados às bravatas do chefão Lula. Agora se sabe por quê.

A turma que ousou desafiar o renascimento da Justiça e obstruir os avanços da Lava Jato precisa compreender definitivamente que agora todos são iguais perante a lei. Por terem deixado de ser mais iguais que os outros, Michel Temer deveria renunciar à Presidência antes de ser dela despejado, Lula coleciona pesadelos com Curitiba, Aécio Neves antecipou a irreversível aposentadoria da vida pública e Dilma descobriu que não tem votos sequer para eleger-se síndica do prédio onde se refugia em Porto Alegre.

Desmatada por Sérgio Moro, pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, a estrada percorrida pelos gatunos cinco estrelas leva a um Brasil sem vagas, sem paciência e sem estômago para obscenidades de quaisquer partidos. O país do futuro ainda está em trabalhos de parto, mas certamente será muito melhor que o repulsivo Brasil que agoniza neste outono de 2017. Retirados os tumores que restam, a Nação mostrará a si mesma que fez mais do que sobreviver. Ficou mais viva e saudável do que nunca.

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A justiça dos juízes indicados por políticos e a dos juízes concursados

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“Sempre que o STF profere alguma decisão bizarra, o povo logo se apressa para sentenciar: “a Justiça no Brasil é uma piada”. Nem se passa pela cabeça da galera que os outros juízes – sim, os OUTROS – se contorcem de vergonha com certas decisões da Suprema Corte, e não se sentem nem um pouco representados por ela.

O que muitos juízes sentem é que existem duas Justiças no Brasil. E essas Justiças não se misturam uma com a outra. Uma é a dos juízes por indicação política. A outra é a dos juízes concursados. A Justiça do STF e a Justiça de primeiro grau revelam a existência de duas categorias de juízes que não se misturam. São como água e azeite. São dois mundos completamente isolados um do outro. Um não tem contato nenhum com o outro e um não se assemelha em nada com o outro. Um, muitas vezes, parece atuar contra o outro. Faz declarações contra o outro. E o outro, por muitas vezes, morre de vergonha do um.

Geralmente, o outro prefere que os “juízes” do STF sejam mesmo chamados de Ministros – para não confundir com os demais, os verdadeiros juízes. A atual composição do STF revela que, dentre os 11 Ministros (sim, M-I-N-I-S-T-R-O-S!), apenas dois são magistrados de carreira: Rosa Weber e Luiz Fux. Ou seja: nove deles não têm a mais vaga ideia do que é gerir uma unidade judiciária a quilômetros de distância de sua família, em cidades pequenas de interior, com falta de mão-de-obra e de infra-estrutura, com uma demanda acachapante e praticamente inadministrável.

Julgam grandes causas – as mais importantes do Brasil – sem terem nunca sequer julgado um inventariozinho da dona Maria que morreu. Nem uma pensão alimentícia simplória. Nem uma medida para um menor infrator, nem um remédio para um doente, nem uma internação para um idoso, nem uma autorização para menor em eventos e viagens, nem uma partilhazinha de bens, nem uma aposentadoriazinha rural. Nada. NADA.

Certamente não fazem a menor ideia de como é visitar a casa humilde da senhorinha acamada que não se mexe, para propiciar-lhe a interdição. Nem imaginam como é desgastante a visita periódica ao presídio – e o percorrer por entre as celas. Nem sonham com as correições nos cartórios extrajudiciais. Nem supõem o que seja passar um dia inteiro ouvindo testemunhas e interrogando réus. Nunca presidiram uma sessão do Tribunal do Júri. Não conhecem as agruras, as dificuldades do interior. Não conhecem nada do que é ser juiz de primeiro grau. Nada. Do alto de seus carros com motorista pagos com dinheiro público, não devem fazer a menor ideia de que ser juiz de verdade é não ter motorista nenhum. Ser juiz é andar com seu próprio carro – por sua conta e risco – nas estradas de terra do interior do Brasil . Talvez os Ministros nem saibam o que é uma estrada de terra – ou nem se lembrem mais o que é isso. Às vezes, nem a gasolina ganhamos, tirando muitas vezes do nosso próprio bolso para sustentar o Estado, sem saber se um dia seremos reembolsados – muitas vezes não somos.

Será que os juízes, digo, Ministros do STF sabem o que é passar por isso? Por que será que os réus lutam tanto para serem julgados pelo STF (o famoso “foro privilegiado”) – fugindo dos juízes de primeiro grau como o diabo foge da cruz? Por que será que eles preferem ser julgados pelos “juízes” indicados politicamente, e não pelos juízes concursados?

É por essas e outras que, sem constrangimento algum, rogo-lhes: não me coloquem no mesmo balaio do STF. Faço parte da outra Justiça: a de VERDADE.”

Fonte: Dr. Edailton Medeiros – Campina Grande-PB
Facebook da Juíza Ludmila Lins Grillo
JORN. GOMES SILVA

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Políticas Sim, Políticos Não!!

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A Região Metropolitana de Brasília necessita de políticas para sua população e não de políticas para grupos políticos.

A proposta de criação de um novo Estado da Região Metropolitana de Brasília não é nova. Quem não se lembra do PL nº 298 de 2002, que autorizava o desmembramento dos atuais estados de Goiás, Minas Gerais e também do Distrito Federal? Neste cenário, a capital do novo estado seria a cidade de Taguatinga e a maior parte do estado e da população seria de Goiás, além das 12 regiões administrativas do Distrito Federal. Se esta proposta fosse aprovada, Brasília passaria a ser, exclusivamente, a capital administrativa do Brasil.

Hoje sabemos que a criação de um novo estado com os desmembramentos das regiões administrativas do DF seria, na verdade, um tiro no pé. Hoje, toda região conta com o fundo constitucional de R$ 13,2 bilhões — R$ 7,8 bilhões destinados à segurança pública; R$ 2 bilhões à educação; e R$ 3,4 bilhões à saúde. De acordo com aquela proposta, entretanto, o Estado do Entorno teria recebido em 2014 cerca de R$ 1 bilhão de Fundo de Participação dos Estados (FPE) — valor semelhante ao recebido por estados como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná e Espírito Santo. Ou seja, as regiões administrativas do DF perderiam 12 bilhões de reais, o que colocaria em risco a garantia que a população do Distrito Federal tem hoje de serviços básicos, como saúde, educação e segurança.

Recentemente, o deputado Federal Célio Silveira reacendeu o debate e apresentou nova proposta que convoca plebiscito para criar o Estado do Entorno, próximo ao Distrito Federal. A matéria, que contempla apenas os municípios do Entorno, criaria, na verdade, uma espécie de faixa de gaza em pleno Planalto Central.

O novo ente federativo seria composto por uma estreita faixa de terra, com fronteiras com três estados, além de uma poligonal cercando o Distrito Federal. As coincidências não param por aí: a população da faixa de gaza é formada hoje por 1,7 milhão de pessoas, enquanto a região metropolitana tem 1,8 milhão de habitantes. Além disso, ambas as áreas sofrem com a escassez crônica de serviços sociais, e praticamente não tem indústrias.

Assim sendo, a criação de um novo Estado só seria um escape para grupos políticos chegarem ao poder de maneira mais fácil — o que é praticamente impossível com a atual configuração. A proposta, de fato, não resolve problema algum e só exclui ainda mais quem já foi excluído do Distrito Federal.

Dito isso, é preciso salientar que a saída para a região não passa pela criação de um novo estado, mas sim pela implementação de políticas públicas com ações integradas envolvendo o Estado de Goiás, Distrito Federal e a União.

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O Supremo Tribunal Federal e o Campeonato Brasileiro de 1987

Flamengo x Inter Final Da Copa UniÃo 1987

Ao contrário do que dizem as manchetes, o Supremo Tribunal Federal, em sua decisão de 18 de abril último, não “declarou” o Sport Club do Recife campeão brasileiro de 1987. E não o fez por uma razão muito simples: é que, diversamente do que apregoam por aí os torcedores do Sport (todos os doze), a mais alta corte de justiça do país jamais analisou as questões de fundo relacionadas ao controverso Campeonato Brasileiro de 1987. Não: tudo o que suas excelências foram chamadas a decidir, desta feita, era se a CBF podia, como fez em 2011, reconhecer o título do Flamengo sem violar o comando da sentença de 2 de maio de 1994, pela qual um juiz federal pernambucano mandara a CBF “[reconhecer] o [Sport] como campeão brasileiro de futebol profissional de 1987”.

É discutir o sexo dos anjos, dirá talvez o leitor, que o efeito, no final das contas, é o mesmo: para a Justiça, é campeão o Sport, não o Flamengo. Respeitosamente, discordo. Nessas questões de direito, as nuances são importantes, sobretudo quando a versão que se vende é a de que o “título” do Sport foi referendado por todas as instâncias do Poder Judiciário, e que portanto é incontestável.

Ao longo do último ano e meio, dediquei-me a estudar a fundo essa questão com o objetivo de escrever um livrinho exaustivo a respeito, tanto do ponto de vista histórico e desportivo como do jurídico. E o resultado final, a ser publicado em breve, ajuda a dissipar muito da mitologia que a paixão clubística, a ignorância e a desonestidade intelectual foram tecendo em torno desse assunto.

Quando se recusaram a jogar o fatídico cruzamento, em janeiro de 1988, Flamengo e Internacional estavam amparados não só no apoio quase unânime da opinião pública e da torcida nacional. Tinham também consigo o bom direito, tal como reiterou uma e outra vez o Conselho Nacional de Desportos, e tal como decidiu o Superior Tribunal de Justiça Desportiva a 9 de junho de 1988. Para resumir uma história longa e fastidiosa, nos termos da resolução do CND de nº 17, de 7 de outubro de 1986, a CBF já não podia impor aos clubes o regulamento que melhor lhe aprouvesse: tinha, sim, de submetê-lo à aprovação dos participantes, reunidos em conselho arbitral. E esse conselho, quando finalmente pôde reunir-se, a 15 de janeiro de 1988, após inúmeras chicanas da CBF e das federações estaduais, decidiu eliminar o cruzamento que os senhores Octávio Pinto Guimarães e Nabi Abi Chedid quiseram empurrar goela abaixo dos clubes na calada da noite de 11 de setembro de 1987, com o campeonato já iniciado.

Contra esse entendimento podiam alegar-se um par de questões, e o Sport alegou-as em juízo entre 1988 e 1994. No dia 5 de maio de 1994, o juiz da causa, o dr. Élio Wanderley de Siqueira Filho, decidiu (mal) em favor do Sport, utilizando-se para isso de alguns artifícios feios de se ver (a certa altura, envereda até pelo nonsense das “normas constitucionais inconstitucionais”). Seja como for, o que importa para os nossos propósitos, hoje, é que esta foi a única decisão de fundo em todo o processo. Em meu livro, aponto pelo menos sete causas pelas quais o Flamengo podia e devia ter recorrido. Por razões que permanecem insondáveis, o clube não o fez, e aquela sentença defeituosa acabou transitando em julgado (i.e., tornou-se imutável) a 5 de abril de 1999.

Ocorre que a proteção à sentença imutável, à “coisa julgada”, é um dos pilares de nosso ordenamento jurídico, e nisso a lei não distingue a sentença boa da má, a escorreita da defeituosa, a ilustrada da que fala em “normas constitucionais inconstitucionais”. No fundo foi isso, e apenas isso, o que se discutiu em juízo desde que, a 21 de fevereiro de 2011, a CBF decidiu reparar uma injustiça histórica e reconheceu também o Flamengo como campeão de 1987. Para o Sport, tratou-se de violação à coisa julgada, e seis anos depois o STF lhe deu razão. Sem jamais tratar daquelas questões de fundo que, diante da negligência inescusável do Flamengo, só foram analisadas pelo juiz pernambucano.

Com a decisão do ministro Marco Aurélio Mello, cartolas e torcedores do Sport (todos os doze) recorrerão, uma vez mais, ao argumento desonesto de que “a sentença é lei” e quem a descumpre é “marginal”. É ignorar, claro, que a sentença é lei apenas entre as partes, que neste caso seu comando volta-se apenas à CBF, e que em nenhuma sociedade civilizada uma decisão judicial tem o poder de proscrever o livre debate de ideias (quem discordar, é favor apontar uma única história séria da Guerra Civil americana que não comece espinafrando a sentença do caso Dred Scott v. Sandford).

E esta é a única coisa indiscutível neste episódio: o Judiciário dirá a respeito o que quiser, mas o juízo definitivo sobre quem foi o campeão brasileiro de 1987 é matéria para historiadores e amantes do futebol. E, aqui, sentença nenhuma transita em julgado.

Pablo Duarte Cardoso é diplomata, advogado e autor do livro “1987: a História Definitiva”.

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Primeiramente, fora Lula!

LULA

Lula viveu de obséquios. Vive. O dinheiro não o atrai. A rotina da política, tampouco. O conforto e as facilidades, sim. Terceiriza a missão de obtê-las
Quem foi Marcelo Odebrecht? O mandachuva do país durante o reinado do PT? O chefe de uma sofisticada organização criminosa? Ou o “bobo da corte” afinal preso e forçado a delatar?

E Lula, quem foi? O primeiro operário a chegar ao poder? O maior líder popular da História? Ou o presidente que fez da corrupção uma política de Estado?
Marcelo será esquecido. Luiz Inácio Odebrecht da Silva, jamais.

Em dezembro de 1989, poucos dias após a eleição do presidente Fernando Collor de Melo, o deputado Ulysses Guimarães (PMDB-SP), ex-condestável do novo regime, almoçava no restaurante Piantella, em Brasília, quando entrou a cantora Fafá de Belém, amiga de Lula. “Como vai Lula?”, perguntou Ulysses. Fafá passara ao lado dele o domingo da sua derrota para Collor.
E contou: “Lula ficou muito chateado, mas começamos a beber e a comer, os meninos foram para a piscina e ele acabou relaxando”. Ulysses quis saber: “Tem piscina na casa de Lula?” Fafá explicou: “Tem, mas a casa é de um compadre dele, o advogado Roberto Teixeira”. Ulysses calou-se. Depois comentou com amigos: “O mal de Lula é que ele parece gostar de viver de obséquios”. Na mosca!

Lula viveu de obséquios. Vive. O dinheiro não o atrai. A rotina da política, tampouco. O conforto e as facilidades, sim. Terceiriza a missão de obtê-las.
O poder sempre o fascinou. E para conquistá-lo e mantê-lo, mandou às favas todos os escrúpulos que não tinha.

Os que o cercam em nada se surpreenderam com a figura que emerge das delações dos executivos da Odebrecht.

É um pragmático, oportunista, que se revelou um farsante. Emilio, o patriarca dos Odebrecht, decifrou Lula muito antes de ele subir a rampa do Palácio do Planalto. Conquistou-o com conselhos e dinheiro.

Perdeu nas vezes em que ele foi derrotado. Recuperou o que perdeu e saiu com os bolsos estufados quando Lula e Dilma governaram. Chamava-o de “chefe”. Emílio era o chefe.
Nos oito anos da presidência do ex-operário que detestava macacão e sonhava com gravatas caras, o país conviveu com o Lula que pensava conhecer e, sem o saber, também com Luiz Inácio Odebrecht da Silva, só conhecido por Emílio e alguns poucos.

“Cuide do meu filho”, um dia Lula pediu a Emílio. Que retrucou: “Cuide do meu também”. Emílio cuidou de Fábio. Lula, de Marcelo.

De Lula cuidaram Emílio e Marcelo, reservando-lhe uma montanha de dinheiro em conta especial para satisfazer-lhe todas as vontades. Lula retribuiu com decisões governamentais que fizeram a Odebrecht crescer muito mais do que a Microsoft em certo período.

A Odebrecht pagou a Lula, e Lula pagou a Odebrecht, com a mesma moeda – recursos públicos. Quem perdeu com isso?

A Odebrecht ganhou mais dinheiro à custa de Lula do que ele à custa dela, mas Lula foi mais esperto. Criou seu próprio banco, administrado pela empreiteira. E quando precisava sacar, outros o faziam em seu nome.

Imagina não ter deixado impressões digitais nas negociatas em que se meteu. A polícia já identificou muitas. E outras serão identificadas antes do seu depoimento em Curitiba.

Corrupção mata. Mata sonhos, esperanças, alucinações. Mata o passado, o presente e compromete o futuro. Mata também de morte morrida à falta de saneamento, hospitais, escolas, segurança pública. A impunidade mata tanto ou mais.

A hora e a vez são da Justiça. E ela será julgada pelo que fizer ou deixar de fazer.

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À espera do estrondo

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De Lula, ontem, em Sorocaba, interior de São Paulo:
– Desde que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil é a mesma gente. Se você pegar a árvore genealógica, vai perceber. Somos a diferença e isso os deixa inconformados. Eles ficam rezando e torcendo para não dar certo.
(Comentário meu: No que Lula imagina que é diferente? Só por que é o primeiro retirante nordestino e ex-operário que chegou à presidência da República?
Ele poderia ter sido diferente, sim – mas não só por isso.
Os que sempre se deram bem por conta das opções de política econômica não tem do que se queixar dele. Os que sempre tiveram nojo da corrupção patrocinada pelos governos ou tolerada por eles estão perplexos.
A se dar crédito ao que disse o Procurador Geral da República escolhido por Lula, uma organização criminosa começou a agir desde o fim das eleições de 2002 para garantir o projeto de poder do PT.
Houve menos ou mais corrupção em governos passados? Pouco se lhe dá. Não poderia haver, muito menos nas proporções alcançadas, no governo do partido e do candidato que detiveram o monopólio da ética durante tanto tempo.
O estelionato eleitoral foi duplo. De natureza econômica. De natureza moral.
É espantosa a desfaçatez com que Lula se exalta e exalta seu governo na semana em que os dois foram abaixo. A única coisa que ainda não se ouviu foi o estrondo.)

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A Farsa da Lista Fechada

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Não prosperou, mas de novo retorna feito lobisomem em noite de sua cheia. Fala-se da votação para deputado em lista fechada. O eleitor ficaria proibido de escolher o candidato de sua preferência, manifestando-se apenas pelo partido que melhor lhe agrade. Aos caciques, donos das legendas, caberia elaborar a lista de candidatos. É claro que se colocariam nos primeiros lugares. Nem precisariam fazer campanha.

Trata-se de uma velhacaria que só favorecerá os dirigentes partidários. Um breve contra a renovação, porque além de elaborar a lista fechada, os caciques também controlarão o fundo partidário e os recursos suplementares para as campanhas.

Nada mais lucrativo do que fundar um partido, ensina a malandragem. O fundador consegue uma permanente fonte de renda, tem a eleição garantida e afasta a incômoda tentativa de os mais novos ascenderem às funções de chefia.

De tão gritante e canhestra, a lista fechada jamais se concretizou. Mais uma vez, os mesmos de sempre insistem na mudança, tudo indicando nova frustração. Quem sabe, agora, por meio de artifícios renovados, obterão sucesso?

De jeito nenhum a adoção desse casuísmo servirá para diminuir o numero de partidos. Pelo contrário, as siglas deverão multiplicar-se através de variados expedientes.

Em suma, nada de novo debaixo do sol. A menos que o eleitorado decida, por maioria, rejeitar mais essa tramoia. Que tal o cidadão comum recusar-se a declinar sua preferência partidária, anulando seu voto?

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Pezão foi condenado a viver a ruína

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Nada funciona no Rio, só o gabinete do juiz Marcelo Bretas da 7ª Vara Federal, mas isso já é um consolo

Tendo vivido o esplendor da ilusão cabralina, quando foi secretário de obras e vice-governador, Luiz Fernando Pezão está condenado a viver sua própria ruína.

Aquele teleférico do Morro do Alemão, que foi inaugurado duas vezes, está parado (Ele se entristecia quando era exposto ao ridículo das duas inaugurações).

A política de segurança do xerife José Mariano Beltrame ruiu, as contas públicas jogaram o governador para a condição de pedinte, e os cidadãos a um período de decadência jamais visto.

Sérgio Cabral está em Bangu, decidindo entre uma cana de 40 anos e a possibilidade de colaborar com a Viúva, cuja bolsa repetidamente assaltou.

O coral dos poderosos da ilusão cabralina já tem dois doleiros, um ex-presidente do Tribunal de Contas, seu filho, e mais gente na fila.

Pezão está na situação dos hierarcas do stalinismo que moravam num imponente edifício perto do Kremlin. À noite, quando o elevador fazia barulho, os comissários acordavam temendo que tivessem vindo buscá-los.

A administração do Rio está parada. Fica a impressão de que só dois gabinetes funcionam: o do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, e o do ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça. Um encanou Cabral. O outro ouviu a melodia da colaboração de Jonas Lopes e de seu filho.

O doutor Jonas presidiu o Tribunal de Contas do Estado, e sua cantoria resultou na prisão de cinco conselheiros (Em tempo, não se deveria chamar essas comissões de contas de “tribunal”, pois não o são).

Admitindo-se que Pezão tenha sido secretário de Obras e vice de Cabral sem ter desconfiado de nada, nem dos cortes de seus ternos Ermenegildo Zegna “su misura”, Jonas e seu filho jogaram o governador na frigideira.

O pai contou que, em 2013, Pezão mediou em sua casa uma acalorada discussão para definir o rachuncho das propinas. Num lance, em 2015, cada felizardo receberia R$ 60 mil mensais. Noutro, mordiam a comida dos presidiários.

Jonas Filho diz ter ouvido que parte do dinheiro mandado aos conselheiros foi desviada para atender a despesas pessoais de Pezão. Coisa de R$ 900 mil.

Nesse aspecto, a suspeita é a um só tempo frágil e meritória. Frágil, porque nasce de um “ouvir dizer”. Meritória porque se Pezão recebesse apenas R$ 900 mil para cobrir despesas pessoais, seria um anacoreta na corte de Sérgio, o Magnifico.

O capilé de R$ 900 mil teria sido revelado a Jonas por Marcelo Santos Amorim, o Marcelinho, subsecretário de Comunicação do governador. Ele estava no lote de celebridades estaduais levadas para a Polícia Federal na semana passada.

Se a história do capilé é ou não verdadeira, só Marcelinho poderá dizer. De qualquer forma, ele terá algo a contar sobre o milagre da comunicação de Pezão, que navegava num estado falido com a pose dos canoeiros de Oxford.

Pezão e Marcelinho negam que tenham praticado qualquer malfeito e queixam-se da falta de acesso às narrativas de quem os acusa.

Graças ao juiz Bretas e ao ministro Fischer, a administração do Rio de Janeiro pode garantir ao detento Sérgio Cabral que ficou mais difícil roubar em cima das verbas de alimentação dos presidiários.

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A Justiça pode ser cega, nós, não!

DEUSA

Se por aqui as leis servissem igualmente para os que podem muito e os que nada podem só haveria um desfecho possível para o julgamento das contas de campanha da chapa Dilma-Temer: o reconhecimento de que ocorreu, sim, abuso de poder econômico, emprego de dinheiro sujo e falsificação dos números oferecidos ao exame da Justiça.

A chapa então seria cassada. O presidente Michel Temer perderia o cargo. A ex-presidente Dilma Rousseff, os direitos políticos preservados pelo Senado ao arrepio da lei. O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, sucederia Temer temporariamente. E o Congresso elegeria um novo presidente da República para governar até a posse do próximo.
Por absurda, nem se cogitaria a tese de separar as contas de Temer das contas de Dilma. São inseparáveis, segundo farta jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. De resto, o fato de ter sido eleito junto com Dilma não valeria apenas para beneficiar Temer, que a sucedeu. Valeria também para prejudicá-lo. E estaríamos conversados. Vida que segue.

Mas, não. Isso provocaria “uma grande confusão”, advertiu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A economia, que ainda mal se recuperou do desastroso governo de Dilma, voltaria de vez para o buraco – como se já tivesse saído dele! Um presidente tampão eleito por um Congresso de malfeitores não teria condições de fazer as reformas. Seria o caos outra vez.

Está tudo pronto para que Deus nos livre de tanto mal. Ou melhor: para que os juízes togados afastem de nós esse cálice. O julgamento marcado para começar hoje deverá ser suspenso hoje, ou amanhã, ou no máximo na quinta-feira. Talvez mal comece. Poderá esbarrar na discussão de preliminares. Ou no pedido de vista feito por um dos juízes.

Dar-se-á um jeito, sosseguem. O estrito cumprimento da lei pode esperar ou ficar para da próxima vez. Não se pode cobrar de juízes que fechem os olhos às circunstâncias do país, à gravidade do momento e ao status dos réus. Devagar com o andor porque o santo é de barro. A democracia, entre nós, ainda é uma planta tenra… E blablablá.

A democracia entre nós é recente, mas já resistiu a duros solavancos e se fortaleceu com eles. O que pode enfraquecê-la é a tolerância com crimes que estão mais do que comprovados. O abuso de poder econômico numa eleição e o emprego de recursos sujos, omitidos da Justiça constituem um crime de lesa democracia. Foi o que aconteceu na eleição de 2014.

O vice-procurador Geral Eleitoral, Nicolao Dino, que atuou na ação de cassação da chapa Dilma-Temer, afirmou em seu parecer final que a campanha vitoriosa em 2014 recebeu ao menos R$ 112 milhões em recursos irregulares. “Todo esse formidável volume de dinheiro (…) comprometeu a legitimidade e a normalidade do pleito”, observou.

Foram R$ 45 milhões de caixa 2; R$ 17 milhões de “caixa 3”; e R$ 50 milhões de propina, dinheiro saído da Odebrecht. Parte do dinheiro comprou o apoio de quatro partidos à candidatura de Dilma. Parte pagou despesas de campanha dela. E R$ 50 milhões quitaram a edição de uma Medida Provisória que ajudou a Odebrecht a pagar menos impostos.

Estamos convidados a desconhecer tudo isso, e mais o que nos reservará o voto do relator do processo a ser lido hoje – ou a ficar para ser lido sabe-se lá quando. A Justiça pode ser cega ou enxergar mal. Não temos essa obrigação.

Ricardo Noblat

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Temer e seus demônios

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Jamais o Congresso teve um presidente da República para chamar de seu como tem desde que Michel Temer assumiu o cargo no lugar de Dilma Rousseff. A recíproca parece verdadeira.

Justamente por isso é improvável, embora não impossível, que senadores e deputados faltem com seus votos na hora de aprovar as reformas que são o único motivo pelo qual este governo existe.

É fato que a presidente deposta abusou de errar e escolheu seu destino. Mentiu sem pudor para se reeleger. Centralizou o poder em excesso. Empurrou o país para o buraco. E cometeu crime de responsabilidade.

Ao gastar mais do que estava autorizada, ofereceu o pretexto para sua queda. Não caiu por isso. Caiu pelo conjunto da obra. Celebre o casuísmo que não lhe subtraiu os direitos políticos como mandava a Constituição.

Temer chegou lá empurrado pelos políticos carentes de mimo e de mais obséquios, por aqueles em pânico com os desdobramentos da Lava Jato, e pela elite empresarial e financeira preocupada com o estado da economia.

Tem feito tudo o que toda essa gente esperava dele – e pelo menos a economia começou a dar sinais de que se recupera. Espera, portanto, que façam por onde ele possa governar até a eleição do seu sucessor.

O Congresso deu a Temer tudo o que ele pediu. Se não lhe der, porém, a reforma da Previdência, Temer estará condenado à condição de um presidente morto-vivo. Como foi Sarney na metade final dos anos 80.

Sarney vestiu a faixa presidencial porque Tancredo Neves, doente, não pode vesti-la, morrendo logo em seguida. Com ralo apoio no Congresso, ainda assim arrancou-lhe o mandato de cinco anos – mas para quê?

Depois disso, viu o tempo passar à espera de ir para casa. Quando foi, o país amargava uma inflação mensal de 80%, suas reservas cambiais eram uma titica e o desencanto geral elegera um aventureiro – Collor.

Conspira a favor da aprovação da reforma da Previdência o desejo oculto dos que sonham em suceder Temer de que ele faça por eles todo o trabalho sujo. Conspira contra o pouco tempo que resta até as próximas eleições.

Uma classe política desqualificada como a nossa, acossada por revelações que comprometem seu futuro, é capaz de fazer qualquer coisa para tentar sobreviver. Trair quem elegeu seria o mínimo, como já demonstrado.

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