Trapalhada da Terracap faz Brasília

410.TERRACAP

Quem imagina que a construção do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, inicialmente orçado em 600 milhões de reais e que consumiu sabe-se lá já quantos bilhões, foi o principal projeto a levar a Terracap para o fundo do poço, está equivocado.

Na verdade, a estatal que cuida das terras da capital da República – hoje conhecida como Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal – afundou na lama por outro motivo. Quem quiser contar o prejuízo, vai somar mais de 12 bilhões de reais, com a conversão do dólar no câmbio flutuante.

A Terracap afundou na lama que ameaça engolir o próprio edifício sede da estatal como uma insaciável areia movediça, por trapalhadas e cobiça dos seus dirigentes. A crise de liquidez atende pelo nome de Cidade Digital, para onde estavam direcionados investimentos de bilhões de dólares.

Os recursos previstos para esse empreendimento deveriam ter gerado um campus de alta tecnologia liderado por grandes marcas multinacionais. Entre elas, a IBM, Microsoft, Google, Samsung.

Mas o assunto que deveria atrair dólares foi tratado pela Terracap como um simples Pró-DF ou coisa menor. A Terracap não soube corrigir o péssimo histórico que cerca aquela área e o desastroso plano de vender lotes aos gringos para faturar muito.

Assim, um grande complexo de empresas multinacionais saiu daqui para nunca mais retornar. E os bilhões de dólares começam a desembarcar em Hortolândia, cidade paulista de apenas 200 mil habitantes. Lá a IBM, que deu uma banana para o Distrito Federal e seus grileiros de ocasião, implantou o seu Global Command Center Brasil, onde circulam 18 mil profissionais e estudantes.

O CEO de uma dessas multinacionais não suportou ouvir a expressão dividendos dias antes de assinar um bilionário contrato. Estranhou a conversa do interlocutor. E reagiu dizendo que empresas societárias pagam dividendos a quem lhes compra ações, e não a quem achaca com o oferecimento de terrenos sem respaldo jurídico.

É mais uma história de irresponsabilidade e ganância para compor os anais do governo de Agnelo Queiroz. Após desfigurar o projeto original de atrair investimentos que poderiam somar aos cofres da Terracap cinco vezes mais aqueles investidos no Mané Garrincha, a direção da companhia cruzou os braços e tenta, com a velha prática, arrecadar migalhas vendendo áreas e imóveis de baixos valores, como uma mercearia de periferia.

Essa sim é uma herança maldita que vai ficar para as próximas gerações. E presidências.

FONTE:Notibras05/09/2013

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